Fernando Vilela

Tudo começou quando minha mãe obrigou a mim e todos os meus irmãos a fazermos aulas de violão. Eles acabaram parando e eu segui a ponto de ter o violão escondido nas épocas de prova da escola – cheguei a repetir de ano por causa do BENDITO violão! rs Pois o tempo correu e já na adolescência rodava a Zona Sul e Barra de baixo pra cima dando aulas: primeiro para amigos e irmãos de amigos, depois para meio mundo (tive a felicidade de, bem mais tarde, fazer a música do casamento de vários deles!!). Paralelamente às aulas que dava, iniciava uma carreira como compositor fazendo trilhas para peças de teatro – prática que me ajuda muito hoje na hora de pensar o roteiro de um casamento, afinal, não é uma trilha? 😉

Ao mesmo tempo em que dava aulas e compunha trilhas, me formei como psicólogo pela PUC-Rio, e o que parecia completamente distante do universo da música, hoje também é muito útil, pois habilita a escuta na relação com as noivas, e instrumentaliza para o desafio de compreendê-las. Antes e em paralelo a isso tudo, o universo dos eventos já me era muito próximo, pois minha mãe é hoje e já era na época, cerimonialista (Thais de Carvalho Dias)! Inclusive cheguei a fazer parte da equipe de recepcionistas dela (nem preciso dizer que eu ficava ligadíssimo nos grupos que iam tocar nas festas, né? A harpista Cristina Braga era minha favorita!! rs). E o embrião da Ornamentus começou aí, pois minha mãe fazia pedidos: “filho, vc pode juntar sua turma e tocar uma bossa nova dia tal num evento?”, “filho, tem um pedido assim outro assado…”. O mercado era insipiente e não se achava as coisas com a facilidade de hoje…

As demandas foram crescendo e senti falta de um parceiro do universo das orquestras pois minha área era muito Bossa Nova, MPB, Rock e eu queria de qualquer forma fazer cerimônias também. Lembra das trilhas? Então: em uma delas, sobre Bocage o poeta português, eu tinha chamado um violinista para tocar e ele era do meio erudito, conhecia todo mundo, todo o repertório de concerto… não o via há muitos anos mas abri aquela agendinha antiga toda empoeirada e arrisquei ligar e lá estava ele com tudo pronto – parecia que estava esperando minha ligação! Tinha todas as partituras e nesse meio tempo tinha se formado maestro e regia muitos casamentos para o grupo ‘Violinos Mágicos’, que na época era administrado pelo falecido Murilo Loures. Foi juntar a faca, o queijo e uma fome enorme de evento! Fundamos então, em 2004, eu e Alexandre Guiamares, a Ornamentus. Ainda funcionava na minha casa, de forma meio amadora. Mas como a estrutura era precária mas a música já era muito boa, a Ornamentus cresceu, apareceu, se desenvolveu, ganhou escritório, estrutura, confiança dos grandes cerimonialistas e espaço no mercado.

Pois foi então que o mercado começou a fazer uma curva que nunca se desfez exatamente: as noivas começaram a pedir muito mais músicas populares do que clássicas e nossa especialidade eram os clássicos! E lá fui eu para a minha terceira graduação – finalmente agora em música, na UNI-Ro (cheguei a me formar como ator também, mas não vem ao caso rs). E já pensando nas demandas da Ornamentus, fiz minha habilitação em arranjo, pois sempre foi uma área que adoro e que tem grande afinidade com a composição. Mas, quis estudar arranjo, principalmente, para orquestrar temas populares, trazer para a timbragem erudita das madeiras e cordas, as coisas que fizeram parte da história dos noivos. Queria eu mesmo botar a caneta no papel e escrever minhas próprias versões das coisas. Hoje, sem dúvidas, esta minha faceta ‘arranjador’ é o que vocês mais encontram nos vídeos deste site! Fora as músicas clássicas, o resto todo é resultado desta investida.

Mas, na universidade adentrei também o mundo da regência, outra área que hoje eu amo! Fiz todas as disciplinas disponíveis com os professores Julio Moretzsohn e Carlos Alberto Figueiredo e hoje reger um arranjo que criei, é uma das coisas que mais gosto de fazer :) Mas, a Ornamentus também tem suas hierarquias! Nosso regente titular é, e sempre será o maestro Alexandre Guiamares! Eu ocupo feliz da vida a cadeira nº2 neste quesito 😉

Bem, para concluir, digo que aquele projeto ‘compositor’ que citei lá atrás seguiu em paralelo com a Ornamentus e também deu seus frutos: lançei meu CD autoral ‘Quadro’ e faço parte de um coletivo extremamente atuante no cenário da nova música popular brasileira chamado Coletivo Chama. Lançamos um CD e um livro em 2016, fomos convidados para encerrar a última Bienal de Música Contemporânea do Rio de Janeiro, temos um festival em Nova Iorque (Brazilian Explorative Music), um programa semanal na Rádio Roquette Pinto FM – 94,1 (Rádio Chama) com o foco nas novidades do Rio e do mundo, e muitos outros projetos de ponta na discussão dos rumos da Música Popular Brasileira – mas o coletivo não tem nada a ver com o mercado de casamento! Cada coisa no seu lugar 😉 Se quiserem conhecer, sejam bem vindos! www.coletivochama.com